Os sensores de monitoramento contínuo de glicose são precisos?

Os sensores de monitoramento contínuo de glicose são precisos?

Monitoramento Contínuo de Glicose (CGM) é uma tecnologia que permite o acompanhamento contínuo dos níveis de glicose ao longo do dia e da noite, especialmente para pessoas com diabetes. Dados precisos do CGM são essenciais para tomar decisões assertivas sobre a dosagem de insulina, escolhas alimentares e ajustes no estilo de vida.

Definição da precisão de um CGM

Quando as pessoas falam sobre a precisão dos CGMs, geralmente se referem à proximidade das leituras do dispositivo com as leituras de um medidor de glicose (BGM) feitas simultaneamente. 

Em contraste com o BGM, o CGM oferece um fluxo contínuo de dados sobre a glicose, permitindo uma compreensão abrangente dos padrões, tendências e oscilações dos níveis de glicose ao longo do tempo. No entanto, devemos reconhecer que o CGM mede a glicose no fluido intersticial, sob a pele, e não diretamente no sangue. Isso significa que sempre haverá pequenas discrepâncias entre as leituras de glicose do CGM e as do BGM, pois leva um tempo para o fluido intersticial se ajustar à mesma concentração de glicose do sangue.

O MARD (Mean Absolute Relative Difference) quantifica a discrepância média entre as leituras do sensor CGM e as medições de glicose de referência, expressa como uma porcentagem. Esse valor é um parâmetro importante para avaliar o desempenho e a confiabilidade dos dispositivos CGM.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, um valor de MARD mais baixo indica maior precisão do CGM. Atualmente, a maioria dos CGMs no mercado apresenta um valor de MARD superior a 9%, já a SIBIONICS alcançou um valor ultra-baixo de 8,83% de MARD, após intensas pesquisas e otimizações.

 

Fatores que afetam a precisão do CGM

A Sociedade Brasileira de Diabetes ainda cita fatores que podem interferir nos resultados dos sensores como:

  1. Localização do sensor: A escolha do local onde o sensor é aplicado pode influenciar as leituras devido à variação na perfusão sanguínea e na difusão da glicose . Alguns sensores são aprovados para uso em diferentes localizações, enquanto outros são aprovados para uso apenas no braço, como é o caso do GS1.
  2. Compressão do sensor:  Pressão excessiva sobre o sensor, por exemplo, durante o sono, pode causar leituras falsas, frequentemente conhecidas como "hipoglicemias de compressão".
  3. Mudanças rápidas nos níveis de glicose: Exercícios de alta intensidade ou refeições grandes e ricas em carboidratos podem causar mudanças rápidas nos níveis de glicose. Os sistemas CGM podem não capturar essas mudanças tão rapidamente quanto os medidores de glicose de glicemia capilar. Os usuários devem estar cientes do tempo de atraso do CGM e considerá-lo ao tomar decisões sobre dosagem de medicamentos Passar por cirurgias ou tomar certos medicamentos interferentes, como paracetamol ou ácido ascórbico (vitamina C), pode afetar a precisão do sensor CGM. Antes de adquirir um sensor CGM para o manejo do diabetes, os pacientes devem consultar seu médico para obter os melhores resultados possíveis.
  4. Resposta natural à agulha: Quando o sensor CGM é inserido, uma agulha é usada para implantar o eletrodo sob a pele, causando uma pequena incisão. Durante o processo de cicatrização da incisão, as células brancas podem se acumular, formando uma cápsula proliferativa que consome a glicose próxima, o que pode resultar em valores de glicose monitorados mais baixos.
  5. Fatores Ambientais: Exposição a temperaturas extremas, umidade elevada ou baixa, e pressão atmosférica podem impactar a precisão dos sensores.

 

Principais conclusões sobre a precisão do CGM

Como qualquer tecnologia, o CGM tem suas limitações. Embora ofereça informações valiosas e em tempo real, os dados do CGM podem não se alinhar perfeitamente com as medições tradicionais de glicose. Imprecisões podem ocorrer devido a fatores como a localização do sensor, dinâmica do fluido intersticial e outros. Portanto, é importante ver os dados do CGM como uma ferramenta útil para identificar tendências e padrões, e não como um substituto exato para o monitoramento tradicional.

Ao manter expectativas realistas, os usuários podem interpretar melhor os dados do CGM, tomando decisões informadas sobre a dosagem de insulina ou escolhas alimentares, colaborando assim de maneira eficaz com os profissionais de saúde para otimizar suas estratégias no controle da diabetes.


https://profissional.diabetes.org.br/wp-content/uploads/2024/10/Posicionamento-SBD-02-2024.pdf

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